Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Alegoria de uma crise #1

por Fábio Santos, em 23.07.13

Vivemos hoje um período crítico. O Estado aumenta impostos e reduz despesa. As empresas fecham. A taxa de desemprego é cada vez maior. A pobreza aumenta todos os dias. As pessoas perdem esperança.

Com isto, somos bombardeados todos os dias com algumas notícias, as quais absorvemos e nem pensamos nelas, interpretando-as como verdades indubitáveis, mas, creio, que faz algum sentido tentar esmiuçar algumas delas.

 

Desde que a TROIKA – Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia (CE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) – chegou a Portugal que temos ouvido que os salários são demasiado elevados e que urge reduzi-los, para sermos mais competitivos e consequentemente para o desemprego diminuir. Penso que isto é uma “não verdade”, senão vejamos.

 

 

 

 

Um pormenor importante para percebermos o gráfico é saber que quem oferece trabalho (linha vermelha - LS) são os trabalhadores enquanto as empresas procuram trabalhadores (linha azul - LD). No eixo horizontal está representado o trabalho que existe numa economia e no eixo vertical o salário que é praticado nessa mesma economia

Agora, é muito fácil interpretar o que é dito. Podemos observar que à medida que o salário diminui (por exemplo, de 4 para 2), a procura de trabalho (LD) aumenta (de 1 para 3), ou seja, as empresas procuram mais mão-de-obra (v.g. trabalhadores). Se terminássemos aqui a nossa análise tudo pareceria coerente com aquilo que é dito “por aí”.

O grande problema desta “narrativa” é o facto de grande parte das empresas não terem no salário dos seus trabalhadores os principais custos, isto é, as empresas têm outras despesas bem mais pesadas no seu orçamento – os chamados custos de contexto - como é o caso da eletricidade, dos impostos, vistos, licenciamentos, enfim burocracias infindáveis (já para não falar das taxas de juro exorbitantes que a banca cobra por financiamentos). É, extremamente, curioso como um Governo, que se diz liberal, está constantemente a bloquear a economia.

 

Por conclusão, creio que conseguimos perceber que as coisas não são tão lineares como poderão parecer e os modelos económicos, apesar de nos mostrarem uma coisa, é necessário que os economistas tenham bom senso e não debitem as coisas sem as explicar, sendo que a realidade é que a descida dos salários não irá diminuir o desemprego nem aumentar a competitividade (até porque depois existem todos os custos associados à diminuição do rendimento disponível por parte dos trabalhadores, logo menos consumo, menos receitas das empresas e blá-blá-blá).

Assim, parece-me, que o grande problema das empresas não são os custos com os seus trabalhadores, mas sim todos os custos inerentes à actividade económica, os quais o Estado tem obrigação de minorar para assim, sim, sermos mais competitivos. 

 

Nota: Este é o primeiro post de uma série de três tendo em vista a desmistificação de algumas questões "impostas" na nossa sociedade sem serem, sequer, questionadas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:07


União? Então que seja a valer.

por Frederico Silva Leal, em 23.07.13

   Visto que estando dentro da união económica e monetária, os países não têm autonomia para utilizar os seus instrumentos com vista a retoma do crescimento económico, e visto que as organizações europeias se encontram também impotentes para utilizar os seus recursos, pois ao beneficiar umas economias, por sua vez poderá ser prejudicial para outras, deixo aqui uma sugestão.
   A minha ideia consistiria em dar alguma flexibilidade ao BCE, assim como ocorre com a FED americana, de forma a que este possa impor uma homogeneidade europeia, podendo terminar com a assimetria dos ciclos económicos (por essa razão é que medidas que poderiam ser benéficas para Portugal, não são aplicadas). Esta Flexibilização seria feita através de um "imposto europeu", que daria fluxo para o BCE poder efectuar investimentos em educação e infra-estruturas, com vista a um equilíbrio no desenvolvimento dos países, dinamizando assim as respectivas economias; poderia resgatar Bancos, pois a falência de um banco não prejudicaria apenas o país que o acolhe, mas todo o funcionamento de toda a economia europeia; forneceria cuidados de saúde e segurança em caso de falta de recursos (penso que não será legitimo que certas decisões políticas e a conjuntura económica possam por em causa a sobrevivência da população); aumentaria a coesão e solidez dentro da zona euro; e por fim, evitaria assimetrias nos ciclos económicos, dando hipótese de uma medida poder beneficiar todas as economias, sem entraves.
  Desta forma, o estado não necessitaria de tanto capital disponível, visto que parte da sua actividade seria assumida pelo BCE. Assim, seria IMPRESCINDIVEL!! uma diminuição da carga fiscal interna, não tendo a população capacidade para suportar mais um imposto.
  Peço atenciosamente que deixem as vossos pareceres, de forma a conseguirmos criar um espaço de debate.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:30


A austeridade é uma ideia perigosa

por Fábio Santos, em 18.07.13

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:43


INFLAÇÃO- A solução?

por Frederico Silva Leal, em 18.07.13

   Ao contrário do que é defendido por grande parte dos economistas, sou de opinião de que a inflação moderadamente mais alta (desde que devidamente regulada!) juntamente com a consequente desvalorização da moeda e a sua impressão, poderá ser das poucas salvações possiveis para o Euro., e para estimular a prócura interna.
  Desta forma, irei enumerar certos pontos que penso que seriam relevantes se fosse aplicada este hipotese:
 1- Estimularia um aumento da produtividade (segundo o estudo da fórmula do "problema do banco central");
 2- Atrairia investimento directo estrangeiro através da perda do valor da moeda;
 3- Baixaria o peso de rendas e dividas não indexadas, assim como o Déficit nacional, pois com a desvalorização da moeda as dividas seriam tambem amortizadas. (libertando a população para aumentárem a procura);

 4- Diminuiria o desemprego (Curva de Phillips- em baixo demonstrada);
 5 - Criaria um "ciclo produtivo da inflação", ou seja, um aumento da subida generalizada dos preços levaria a um aumento dos lucros das empresas, que por sua vez levaria a uma subida dos salários e novas contratações, que levaria a um aumento do consumo, que por sua vez aumentaria a produtividade  nacional e novamente os lucros das empresas.....e assim sucessivamente, até que a adaptação fosse concluida.
 6 - Se acompanhada por uma diminuição carga fiscal, o IPC(índice de preços do consumidor) iria manter-se, mas o poder de compra e o resultado das empresas seriam melhores.
  Entendendo que este assunto possa ser algo polémico devido aos receios da população em ter uma subida dos preços, apelo a que seja observado o outro lado da moeda, pois esta poderá ser uma opção bastante pláusivel (pelo menos a meu ver).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:36


Surpreendentemente correcto

por Frederico Silva Leal, em 10.07.13

   Finalmente hoje assistiu-se a um discurso acertado por Cavaco Silva, assumindo uma rara posição de Presidente da Républica. A meu ver poderá vir a ser uma solução pláusivel para satisfazer tanto os interesses económicos nacionais, como os interesses da poluação, pois:
- Até um verdadeiro regresso aos mercados, teremos condições de corrigir a instabílidade política e recuperar uma imagem um pouco mais sólida perânte os credores, tendo chances de fugir a um eventual segundo resgate;
- Satisfaz a vontade do povo que não quer cumprir os dois anos de mandato restantes, sem colocar em causa os interesses económicos nacionais;

- Poderá dar poder de oposição aos partidos com menor peso, que terão agora a oportunidade de assumir uma posição mais importante. Para além disso, caso este ano não tenha os resultados mais positivos, estes mesmos partidos terão chance de se assumir verdadeiramente como candidatos ao poder nas próximas eleições.
- Dará uma política mais á "esquerda" dentro do governo, equilibrando a coligação.
   Brevemente teremos o parecer mais objectivo dos partidos, e veremos o desenlace deste possivel cenário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:02


Inteligência, sobretudo

por Fábio Santos, em 10.07.13

Inteligente, muito inteligente. É assim que classifico a posição tomada por o Presidente República. Cavaco Silva, ao afirmar que defende uma espécie de governo de “salvação nacional” que inclua os três partidos que assinaram o memorando de entendimento – PSD, PS, CDS – está assim a remeter a batata quente para o PS, e isto porquê? Visto que os socialistas queriam a queda do governo e a consequente marcação de eleições, ficam assim bloqueados com a proposta do presidente, uma vez que estes têm nas suas mãos a queda do governo e as consequências que isto acarreta tais como, uma (nova) crise política, provável subida nos juros da dívida, queda das bolsas, entre outras.

Com tudo isto, o PSD e CDS, creio, não terão outra hipótese que não a total recetividade para uma “coligação” a três, e para fazer todos os possíveis para consensos com o PS. Por outro lado o PS, terá duas opções muito claras. Rejeita veemente esta proposta do presidente, entregando as responsabilidades de novo para Cavaco, que com tudo o que dissertou, não terá outra opção que não seja a dissolução do parlamento. Ao invés, aceita a proposta e inicia o diálogo com o PSD/CDS (e Cavaco Silva) para tentar chegar a um consenso, para consequente criação de um novo governo.

Encontramo-nos num período crucial para o nosso futuro do nosso país. Precisamos de bom senso. Precisamos de pessoas responsáveis. Precisamos de pessoas competentes. Precisamos de pessoas com caracter. Que Portugal teremos daqui a um mês? três meses? um ano?

 

PS: Não sou analista político nem tenho competências para tal, isto é, exclusivamente, um texto de opinião.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:47


De cavalo para burro.

por Frederico Silva Leal, em 02.07.13

    Ontem o governo teve finalmente a oportunidade de ter uma "lufada de ar fresco" para a sua coesão e confiança pela parte do povo, tendo a hipótese de  nomear um ministro das finanças novo, com um novo paradigma e que fizesse frente às directivas impostas pela TROIKA. Mas mais uma vez a pior decisão foi tomada. Foi passada a pasta das finanças nacionais a uma entidade polémica do grupo de Gaspar (secretária de estado do tesouro).

    Lembremo-nos que a imagem Maria Luis Albuquerque está já marcada numa mentira, onde afirmou não ter tido mínima informação da parte do anterior governo relativamente aos SWAPS, sendo posteriormente desmentida por Teixeira dos Santos e pelo ministério das finanças. Para além do mais, sendo secretária de estado de Gaspar, compartilha com o mesmo as culpas pelos erros cometidos e a mesma filosofia de austeridade. Ou seja, foi nomeado uma Gaspar II, mas mentirosa e com menor credibilidade no estrangeiro. Esta mudança de "cavalo para burro" acarreta diversos custos inerentes que não são compensados pela saída de Gaspar.

    Com a saída de VG do governo, instaurou-se uma crise política, com a saída no dia seguinte de Paulo Portas (com intensões de se juntar ao PS para que brevemente volte ao governo), cortando a coligação PSD/CDS e abandonando Passos Coelho na liderança do governo, mesmo quando este não aceita o seu pedido de demissão. Com esta crise política vem o agravamento da crise económica. Assim, no dia de hoje deparamo-nos com a PSI20 (índice representativo das 20 maiores empresas nacionais cotadas em bolsa) a cair 1,5%, a banca a perder cerca de 250 milhões de euros, a taxa de juro disparar e as instituições financeiras influentes como a J.P Morgan e o BCE a afirmarem estar com grandes preocupações relativas a Portugal. Tenho toda a tristeza em afirmar que se espera amanha um dia verdadeiramente negro.

Deixo por fim uma hiperligação da carta de demissão de Vitor Gaspar.

http://files.dinheirovivo.pt/01/Carta_01_07_2013.pdf

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:42


BRIC – O verdadeiro crescimento.

por Frederico Silva Leal, em 26.06.13

                A sigla BRIC representa as quatro maiores ecónomias emergentes que ocupam cerca de 25% da área e 40% da população mundial, sendo estas o Brasil, Rússia, ìndia e China. Este acrónimo foi criado em 2008 por Jim O’Neill (economista chefe da Goldman Sachs) relativamente ao crescimento económico. 

               Actualmente são dos poucos casos de sucesso e de grande crescimento económico, apesar de tambem eles terem enfrentado condições adversar na grande depressão de 2008-2009 conseguiram através das suas exportações e políticas monetárias retomar o crescimento. Até 2050 prevê-se que os seu poderio económico possa superar os G6 e recentemente têm apresentado crescimentos do PIB entre os 4 e os 13%, o que infelizmente não se tem revelado com a mesma intensidade nos seus respectivos PIB per capita. Apesar dos seus desempenhos exemplares, os quatro países têm tido diferentes prestações ,aplicações de capital e níveis de desenvolvimento, desta forma se compararmos os índices de desenvolvimento humano (PIB per capita, esperança média de vida, média de anos de escolaridade) observamos que a Rússia obtem o lugar 66 no ranking mundial ( lugar este que poderia ser cimeiro não fossem as condições climatérias adversas),onde existe um elevado investimento na educação e na saúde, enquanto a Índia apenas ocupa o humilde 134ºlugar, onde o investimento do estado é muito baixo e grande parte da população vive ainda em condições precárias.
                No domínio do consumo governamental verifica-se um crescente aumento dos gastos em áreas como a saúde, educação e infraestruturas, e uma evolução considerável do consumo interno, o que ao juntar á mão-de-obra barata e abundância de recursos, baixa burocracia e um baixo nível fiscal permite concluir que o crescimento dos BRIC é sustentável e não de curto prazo, e também explicar as vantagens competitivas que estes países apresentam para cativar investimentos estrangeiros.
                Para alèm de todas as vantagens referidas, os BRIC necessitam urgentemente de resolver certos problemas que se podem tornar verdadeiros entráves para os seus desenvolvimentos. O principal aspecto a melhorar é a excessiva emissão de gases poluentes da parte da Índia e da China, onde a quantidade de CO2 circulante nas grandes cidades é um verdadeiro veneno para as populações residentes. Terão também de enfrentar os seus fortes sistemas corruptos, prócurar punir certas práticas concorrenciais ilegais como Dumping e estimular a prócura interna, pois são os consumidores locais que irão desenvolver as ecónomias destes países.
               

                Agradeço a colaboração de Fábio Santos e Ana Catarina Semblano para a investigação do tema.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 23:54


A austeridade assassina

por Frederico Silva Leal, em 21.06.13

   Após o início da crise internacional (em 2008 com a falência da Lehman Brothers), seria legítimo um período de cortes nas despesas excessivas e restruturações no sector público devido ao alto deficit orçamental nos países da zona euro, mas obviamente nunca colocando em causa o bom funcionamento do sistema económico do país em questão. Mas infelizmente não foi isso que sucedeu, com a intervenção da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) em Portugal para negociar as condições de resgate, foram aplicadas medidas que em vez de reabilitar a economia, preferiram “arrancar o mal pela raiz”, destruindo progressivamente o sistema económico.

   Nos últimos anos têm sido aplicadas medidas destrutivas, como o aumento da carga fiscal (resultando numa diminuição da receita fiscal, e de um menor incentivo ao investimento), despedimentos em massa no sector público (aumento do desemprego, redução no PIB e aumento da despesa do estado para pagar subsídios e formações suplementares), cortes salariais (menor consumo e por sua vez menor produtividade), colocando em condições quase precárias pensionistas, desempregados e reformados. É de frisar também que nestas condições o estado acaba por investir nos estudos (como deve) em jovens que vão emigrar e trazer retorno, não ao país que neles investem, mas ao país que os acolhe.

   A meu ver seria de fácil observação que em países que dependem dos seus comércios internacionais e sem moeda própria como na zona euro, que ao se cortar no consumo de todos os países, todos estes terão resultados piores. Assim poderá ser justificado um dos motivos para a difícil e demorada recuperação das economias europeias. Tal como a não utilização da inflação para dinamizar as economias europeias, com vista a assegurar os interesses de apenas um ou outro país.

   Infelizmente, observa-se uma dificuldade em assumir uma “mea culpa”, onde o governo (que procurava ser mais rígido que a própria troika) coloca as culpas na Troika, e as instituições pertencentes nesta atiram culpas entre eles como uma “batata quente” (por enquanto apenas relativamente à Grécia). Com isto, Portugal apresenta em termos homólogos, uma variação negativa do PIB de 3,8% e uma taxa de desemprego de 17,7%.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:04



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Julho 2013

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D