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De cavalo para burro.

por Frederico Silva Leal, em 02.07.13

    Ontem o governo teve finalmente a oportunidade de ter uma "lufada de ar fresco" para a sua coesão e confiança pela parte do povo, tendo a hipótese de  nomear um ministro das finanças novo, com um novo paradigma e que fizesse frente às directivas impostas pela TROIKA. Mas mais uma vez a pior decisão foi tomada. Foi passada a pasta das finanças nacionais a uma entidade polémica do grupo de Gaspar (secretária de estado do tesouro).

    Lembremo-nos que a imagem Maria Luis Albuquerque está já marcada numa mentira, onde afirmou não ter tido mínima informação da parte do anterior governo relativamente aos SWAPS, sendo posteriormente desmentida por Teixeira dos Santos e pelo ministério das finanças. Para além do mais, sendo secretária de estado de Gaspar, compartilha com o mesmo as culpas pelos erros cometidos e a mesma filosofia de austeridade. Ou seja, foi nomeado uma Gaspar II, mas mentirosa e com menor credibilidade no estrangeiro. Esta mudança de "cavalo para burro" acarreta diversos custos inerentes que não são compensados pela saída de Gaspar.

    Com a saída de VG do governo, instaurou-se uma crise política, com a saída no dia seguinte de Paulo Portas (com intensões de se juntar ao PS para que brevemente volte ao governo), cortando a coligação PSD/CDS e abandonando Passos Coelho na liderança do governo, mesmo quando este não aceita o seu pedido de demissão. Com esta crise política vem o agravamento da crise económica. Assim, no dia de hoje deparamo-nos com a PSI20 (índice representativo das 20 maiores empresas nacionais cotadas em bolsa) a cair 1,5%, a banca a perder cerca de 250 milhões de euros, a taxa de juro disparar e as instituições financeiras influentes como a J.P Morgan e o BCE a afirmarem estar com grandes preocupações relativas a Portugal. Tenho toda a tristeza em afirmar que se espera amanha um dia verdadeiramente negro.

Deixo por fim uma hiperligação da carta de demissão de Vitor Gaspar.

http://files.dinheirovivo.pt/01/Carta_01_07_2013.pdf

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publicado às 23:42


8 comentários

De anónimo a 03.07.2013 às 13:27

Acho engraçado dizer que a nova ministra mentiu quando o senhor não viu nem conhece nenhum dos documentos em causa, mais, dá credibilidade a quem não teve tomates suficientes e dizer que não no primeiro momento a Sócrates. Se o pedido de ajuda tivesse sido mais cedo em melhor situação estaríamos. Mas viva à demagogia

De Arlindo Castro a 08.07.2013 às 20:27

O seu receio foi, felizmente, infundado.
É perfeitamente natural a ocorrência de crises entre os partidos que formam coligações governamentais, tanto em medidas concretas como nas de política geral. Por algum motivo são uma coligação...
Esta mini-crise permitiu redistribuir os membros do governo de forma a melhorar a sua operacionalidade, sem pôr em causa os princípios e valores defendidos por cada um dos partidos.
Como a crise tem origem económica e, só por arrasto, financeira, iremos poder assistir ao uso dos novos poderes de PP e sua equipa: será ele capaz de encontrar soluções para ultrapassar a situação em que nos encontramos ou estará simplesmente a cavar a sua própria sepultura política?
Democraticamente é importante definir ideias, projectos e soluções. É uma perda de tempo entrar pelo caminho da maledicência e do ataque pessoal, ainda para mais quando ambos os intervenientes opinam de forma diametralmente oposta. Para este efeito existem os Tribunais!

De Frederico Silva Leal a 09.07.2013 às 17:00

Felizmente não acabou tudo pelo pior. Mas a posição de Portas não foi de todo responsável, pois se o governo tivesse caído, todos nós iriamos sofrer por isso.

De Arlindo Castro a 09.07.2013 às 17:54

Felizmente ou infelizmente (não acabou pelo pior!) ainda estamos para ver!
Quanto à questão da (ir)responsabilidade de PP, coloco-lhe as seguintes questões:
- v. aceitaria que lhe impusessem uma estratégia divergente do modelo que defende, com características suicidas para o seu ponto de vista, sem reagir?
- e se, reagindo, essa estratégia fosse mantida, v. não bateria com a porta?
É sempre fácil criticar atitudes dos outros, mas não será mais construtivo, antes de tecer críticas, inteirar-mo-nos das reais justificações que conduziram a essas atitudes?
Este dossier, como sabe, ainda não está encerrado, pelo que deveremos aguardar com expectativa as informações futuras e, creia-me, não sou minimamente defensor destes políticos. Com efeito e apesar de todos os sinais já evidenciados, estes políticos ainda não entenderam que a causa da crise é exclusivamente económica e que a solução passará obrigatoriamente por uma redefinição dos termos de troca nas transacções internacionais entre a União Europeia e o resto do mundo, dadas as desiguais condições dos mercados tanto a nível dos apoios sociais prestados como das normas de defesa do ambiente!

De Frederico Silva Leal a 10.07.2013 às 00:09

Compreendo e respeito o seu ponto de vista, mas tem que concordar que a demissão de Paulo Portas logo a seguir á de V.Gaspar não foi de todo inocente; que se tivesse motivos para pedir demissão, em primeiro lugar teria debatido os motivos dentro do governo (não surpreendendo o próprio P.Coelho),revelando assim uma enorme descredibilidade e insegurança; e por fim, como ministro, Portas teria a obrigação moral de suportar certas situações de forma a salvaguardar os interesses nacionais (porque afinal é o povo que importa salvaguardar, e não as posições de ministros enquanto pessoas).
Convém também frisar que como o senhor, também não sou de todo apoiante deste governo...porque infelizmente, para os interesses nacionais, é preferivel suportar mais dois anos, do que deitar ao lixo todo o sacrificio suportado pelos portugueses nestes ultimos anos.

De Arlindo Castro a 10.07.2013 às 16:13

Como pessoa sensata que, penso, deve querer ser, peço-lhe o favor de reler a sua única justificação para o elenco de acusações que faz: "em primeiro lugar teria debatido os motivos dentro do governo (não surpreendendo o próprio P.Coelho)".
Quando conseguir provar a veracidade dessa sua afirmação alinharei nas suas conclusões. Até lá, insisto, está a desenhar uma imagem que "vê" através de um vidro completamente fosco!

De Frederico Silva Leal a 10.07.2013 às 22:12

Sem querer ser mal intrepertado, a minha afirmação remeteu para o facto de P.Coelho ter sido apanhado de surpresa, o que revela que Portas não colocou viamente a sua posição dentro do governo, adoptando por medidas mais radicais, na forma onde estas poderiam ser mais perigosas.
Convém lembrar, este blog consiste em artigos de opinião que promove espaços de dabate. Como tal está sujeito a intrepretações de temas que poderão divergir de pessoa para pessoa, assumindo eu a possibilidade de erro ou julgamento errado.

De Arlindo Castro a 11.07.2013 às 15:27

Como pessoa sensata que, penso, deve querer ser, peço-lhe o favor de provar aquilo a que chama "facto": "P.Coelho ter sido apanhado de surpresa". O único facto que poderá relatar é que tal afirmação foi feita pelo próprio...
O resto são ilações que daí extrai...
Respeitando o debate que este blog promove, entendo dever alertar o autor para as falhas argumentativas que sustentam a opinião defendida, uma vez que é a partir dos erros nos parâmetros analíticos que se chegam a falsas conclusões. Lembro-lhe o famoso excel de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff que levou à defesa, até ao exagero, das medidas de austeridade...

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